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Onde está o profissional de RH?

Muito se tem estudado e discutido a respeito do perfil do novo profissional de Recursos Humanos. Até pouco tempo atrás, RH era a área onde todo o trabalho burocrático concernente aos funcionários de uma empresa era desenvolvido, limitando-se aos expedientes de folha de pagamento, admissões e demissões e aos burocráticos processos de seleção.

Contudo, com o passar do tempo, as demandas das empresas mudaram. Cada vez mais as organizações conscientizaram-se de que o capital humano é extremamente importante para que seus objetivos sejam alcançados, e que negócios possam ser mantidos e novas transações efetuadas.

Com isso, deu-se a necessidade de dar um salto qualitativo no trabalho do profissional de RH, de modo que este estivesse mais voltado às atividades estratégicas que levariam a empresa a um novo patamar em seus objetivos e metas. Não bastava ser apenas aquele profissional que é especializado em administração de pessoal, mas o profissional teria, igualmente, que se especializar nas várias outras áreas do RH.

Surgiram, então, várias linhas e conceitos a serem seguidos: gestão por competências, e-learning, projetos audaciosos sobre comunicação interna, avaliações de desempenho diferenciadas, deu-se uma nova força ao empregado, que passou, assim, a ser chamado de colaborador.

Mas, e o profissional da área? Ele conseguiu acompanhar essa nova tendência? Tecnicamente, sim. A cada dia que passa, existem mais e mais ferramentas de desenvolvimento do gestor de pessoas. As empresas estão apostando maciçamente em programas de treinamento e desenvolvimento de líderes, a fim de prepará-los para serem igualmente gestores de processos e de pessoas.

Sem dúvida, estamos testemunhando um fortalecimento dos profissionais de RH, onde eles são cada vez mais participativos e importantes nos processos decisórios das empresas. E, com isso, pode-se dizer que houve uma “inflação de ego” em muitos destes profissionais, que se viram paulatinamente transpostos de profissionais burocráticos para profissionais estratégicos.

Em muitas conversas e trocas com profissionais da área, tenho observado uma grande dose de falta de humildade e foco, que esquecem que atuam com seres humanos, e que estas pessoas são dotadas de sonhos, ambições, crenças, objetivos e, principalmente, sentimentos.

Dentro e fora das empresas, há a percepção de que esses profissionais muitas vezes encontram-se despreparados para o trato com pessoas, achando-se donos absolutos da verdade, detentores do conhecimento supremo de artes simples como feedback, ouvir o próximo, ensinar e aprender, promover trocas de experiências e conhecimentos, porém muito pouco, ou quase nada, demonstram em suas práticas.

O que vemos são profissionais muitas vezes pouco qualificados para desempenhar suas funções, que são postos “no fogo cruzado” de coordenar uma área sem terem sido preparados eficazmente para esse desafio, profissionais trocando sutis farpas (muitas vezes não tão sutis) por encontrar opiniões e posturas diferentes das suas próprias, baixa tolerância a críticas, defesas apaixonadas de seus pontos de vista, mas pouco baseadas no racional e nada fundamentadas em teorias que possam, de alguma forma, embasar seu posicionamento.

Isso faz com que a gente pense: são esses os profissionais que participam efetivamente das decisões estratégicas das empresas e que, de forma bastante contundente, influenciam nos rumos de nossas vidas? Profissionais que pregam o “façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço?”.

Sendo assim, onde podemos encontrar no profissional de RH conceitos importantes que norteiam nossas ações profissionais, como os grandes mestres ensinam, tais quais a ética, o profissionalismo, as boas relações no trabalho, coaching?

É hora de muitos profissionais de RH darem um passo atrás, observar mais atentamente suas ações, posicionamentos, crenças, refletir e buscar o caminho para a humildade, para a iluminação pessoal e profissional, tentar buscar a fonte da generosidade e do compartilhar com seu semelhante aquilo que, a princípio, fez com que ele escolhesse essa carreira: o contato e o trabalho com pessoas, a fim de que elas possam se aprimorar, crescer e se tornarem grandes.

Sem isso, estamos todos fadados a sermos engolidos pelo monstro da soberba, mostrando uma ambição desmedida pelo poder e um orgulho exagerado, nos levando a um mundo de superficialidade e promessas vazias de fama, poder e riqueza, de pavões relacionando-se dentro e fora das empresas, e obtendo resultados muitas vezes desastrosos.

Temos que nos conscientizar de que, no final das contas, a base do trabalho do profissional de RH é o amor. Amor ao seu trabalho, amor ao próximo. E que com humildade, sensibilidade e troca, estaremos realmente dando valor ao posicionamento estratégico que nos foi oferecido.

* Ana Paula Pinheiro – Consultora organizacional, atua em projetos de recrutamento e seleção, expatriados, comunicação interna, desenvolvimento organizacional e gestão de pessoas. Possui mais de 10 anos de experiência em Recursos Humanos, atuando em empresas nacionais e multinacionais em rápido crescimento no Brasil e Exterior, como Embraer e TAP.

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