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A Economia da Atenção

Imagine-se em pleno duelo de espadas, frente a frente com a Morte; neste exato momento você lembra daquele e-mail que estava esperando: “Será que chegou?”. Pronto, seu oponente, mais Atento ao momento Presente, lhe faz um buraco na barriga.

Lutas de espadas, ou sabres de luz, estão novamente na moda, porém os “Jedi”, personagens da Saga de Guerra nas Estrelas, aparentemente não têm este problema, pois contam com a Força, difícil de desenvolver, porém extremamente útil. Mas, o que é esta Força?

A mim, parece algo semelhante à Atenção, num alto nível de desenvolvimento, e eles a utilizam para se Concentrar Plenamente e derrotar seus oponentes; mas, será que ela só serve para isto? Hoje em dia nós não temos que lutar com espadas; ou será que temos?

Sempre que vejo estes filmes, me pego pensando: “Como seria bom poder contar com esta Força!”. Será que é possível desenvolver a Atenção, a ponto de reconhecê-la como uma manifestação desta Força? E se for possível, qual o valor desta “super” Atenção para a economia atual, a chamada, dentre outros nomes, de Economia do Conhecimento?

Como Conhecimento só pode ser adquirido através da Atenção, parece, então, que o bem escasso que esta Economia deveria tratar de desenvolver é a Atenção e não o Conhecimento, ou mesmo a Informação, já tão abundantes. A Atenção é limitada dentro de cada um de nós e seu valor será tão maior quanto maior for o Conhecimento necessário para realizar as atividades do dia-a-dia.

Herbert Simon, pai da Inteligência Artificial e Prêmio Nobel de Economia, estudou o processo de tomada de decisões nas Corporações, altamente complexas e cunhou uma máxima que exprime este paradoxo: “Riqueza de Informação, cria Pobreza de Atenção!”. Se, economicamente, a expansão do Capital levou ao desenvolvimento do Capitalismo, a expansão da Atenção levaria ao desenvolvimento do “Atencionismo” (acabei de inventar…) ou à evolução da Economia da Atenção.

Crescemos ouvindo que o Maior engole o Menor; depois percebemos que o mais Rápido ultrapassa o mais Lento; e hoje podemos dizer que o mais Atento vence o Desatento. Um dos sinais disto é o esforço empreendido nos programas de CRM, que tentam, mas nem sempre conseguem, manter a Atenção focada nas necessidades e particularidades dos Clientes: registram montanhas de Informações para oferecer atendimentos mais efetivos e formatar ofertas mais atraentes, porém…

Com estas e outras ações, o volume disponível de Informações tem crescido cada vez mais, a ponto de dobrar a cada 20 meses, no mundo, e nada indica que tal crescimento vá parar ou diminuir. Nossa única saída, então, é desenvolver a Atenção e amenizar a sensação de Frustração de não dar conta.

Qual é o Caminho para este desenvolvimento?

Curiosamente, o Caminho também é um aparente paradoxo e retrocesso, pois sugere que devemos nos centrar em nós mesmos para recuperarmos o poder de concentração (no treinamento dos Espadachins também é assim). É através do resgate das Características Primordiais da Atenção que podemos abrir espaço para o que realmente importa e é essencial para o nosso sucesso, ou seja, o segredo está dentro de nós!

A Atenção foi criada e aprimorada pela Evolução, com o intuito de maximizar as chances de sobrevivência e proliferação da espécie humana. O Processo Natural de Atenção foca nossas Necessidades Primárias e as coisas de maior Significado, para nós, pulam para frente da Mente. Sempre que tentamos nos concentrar em algo que não damos valor, o mecanismo de Saciedade procura logo outra coisa para atender.

A Atenção, como Processo Biológico, prioriza o que nos satisfaz, dá prazer e alegria; não adianta tentar forçar – ela foi feita para isso; é através dela que nos tornamos felizes e ser feliz é o principal objetivo de nossa existência. Sempre que quiser dar Atenção a alguma coisa, procure inicialmente os aspectos que te dêem prazer e alegria e, a partir deles, vá se envolvendo com o todo.

Outra parte do Caminho é viver o Momento Presente: quando estamos presos no passado ou ansiando pelo futuro deixamos de estar Atentos e focados na nossa existência. É fácil perceber o quanto estamos ausentes deste mundo, pois não nos sentimos incluídos na natureza, nem quando estamos trocando energias vitais com o meio ambiente. Pense: quando foi a última vez que você ficou atento ao seu peso contra o chão (talvez só quando o seu pé estava doendo, como o meu está agora), ou ao ar entrando e saindo dos seus pulmões, ou ao calor do sol na sua pele, ou a suavidade da água ou de um carinho. É através do resgate destas sensações que podemos nos sentir presentes e fazendo parte.

Quando não estamos presentes, não fazemos o que realmente queremos fazer e, se fizermos, não vamos aproveitar os benefícios, além de sentirmos uma sensação de vazio e insatisfação constante, a qual gera um distanciamento da realidade e uma desatenção inevitável.

Para vivenciar isto, pare de ler e preste Atenção à sua respiração: apenas por 1 minuto, tente limpar sua mente; mas não faça isto com esforço ou punição, não julgue, apenas se concentre no ar, entrando e saindo. Se necessário, conte quantas vezes você respirou neste minuto, pois a contagem ajuda a clarear a mente; se outros pensamentos vierem, deixe que vão embora e, suavemente, reconcentre-se na respiração. Use este minuto para você, para a sua natureza.

Outro ponto é a nossa relação com o tempo: nós somos um Sistema Vivo e temos que parar de nos comportar como máquinas ou fábricas com seus processos lineares e de tempo artificialmente contado para remunerar, proporcionalmente, a contribuição de cada trabalhador ao produto final. Este tempo artificial (da fábrica) se tornou padrão (Tempo é Dinheiro!) e contaminou tudo; agora achamos que não temos tempo para mais nada e que ele corre cada vez mais depressa; é claro, quanto mais rápido produzimos, mais rápido ele passa. Temos que eliminar esta distorção e parar de usar o tempo como limitador: se estivermos Atentos, como o Espadachim, o tempo ganhará outras dimensões e não apenas a do relógio.

Um instante de Atenção Plena pode valer por horas de desatenção!

* Roberto Peres Angelelli é Palestrante e Promotor do “MVA – Movimento de Valorização da Atenção”, o qual visa despertar, as pessoas e as organizações, para a necessidade de Aprimoramento e Melhor Uso da Atenção, além da Conscientização da sua Proteção contra os atuais Abusos.

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